As entrelinhas do impacto

O Lado B e os questionamentos também necessários ao ecossistema

Comecei recentemente uma nova temporada de podcasts
em meu canal
(e em breve, teremos novidades aqui na Aupa, oba!)
com o nome de Impacto na Segundona.

Gravo e edito de forma caseira
e na raça.

A provocação-brincadeira do nome
passa por um sentimento duplo,
que trago cá com meus botões há tempos:

– de um lado
a sensação de jogar na 2ª divisão deste ecossistema,
ouvindo com frequência perguntas do tipo: quem? De onde?

pra quem não sabe, moro em Brasília há tempos e fui me inserindo nesta agenda
com muita persistência, comendo pelas beiradas e com certa cara de pau.

– de outro
de seguir me esforçando em remar contra a corrente
das narrativas e abordagens mais óbvias que predominam no setor,
trazendo alguns Lados Bs sobre o assunto

Quem quiser acompanhar o podcast
fica o convite.

Tá bom,
mas por que tratar deste tema por aqui?

Por alguns motivos:
1. Por considerar que a agenda de impacto está em alta, seguirá crescendo e receberá cada vez mais pessoas, profissionais e entusiastas, todos em busca de uma melhor compreensão do tema.
2. Essa compreensão requer tempo (horas de voo) e a oferta atual disponível (de conteúdos, cursos) traz pouco esses aspectos ‘Lado B’ (nuances, entrelinhas, limites, contradições).
3. E por que o Lado B é importante? Para alguns pode soar como uma crítica desnecessária ou como quem “joga o bebê junto com a água do banho”.
4. O lado B é necessário, porque assume que, como qualquer agenda, há entrelinhas e contradições. Conhecendo também esses aspectos fica mais fácil, pra quem está chegando, alinhar expectativas e ficar mais antenado sobre o que ocorre neste ecossistema.

Algumas “faixas de sucesso” que tocam nas paradas Lado B:
– popularização da agenda do impacto:

Queremos popularizar o tema, mas e aquele seu parente/vizinho negacionista? Terraplanista?

Colocando mais pimenta, lembremos que há investidores tradicionais que apoiaram projetos autoritários e que agora começam a embarcar no tema do ESG e do impacto. E aí? Devemos celebrar ou ficar putos?

Temos sido competentes na adoção de estratégias e ferramentas adequadas para tornar o tema mais acessível a todos? Ou, no máximo, ampliamos um pouco a nossa própria bolha?

– o conceito de investimento de impacto e de negócios de impacto traz consigo alguns problemas. Isso é discutido? Quais são esses “problemas”?

Para citar um:

“As ferramentas de mercado vieram resolver os problemas que nem governo nem filantropia conseguiram resolver” – é uma fala recorrente no setor. Vamos brincar de jogo de 7 erros sobre esta fala?

Vou trazer apenas 2 para ilustrar:

O mercado é só um solucionador/salvador? Ele também não é um agente promotor de degradação socioambiental? Ele também não é partícipe do caos onde nos encontramos?
O mercado vai matar a bola no peito e resolver tudo sozinho? Ou, nos tempos atuais, vale justamente a atuação coletiva entre os vários setores e atores? Não seria melhor ajustar a narrativa para contemplar a relevância de todos os setores?

Paro por aqui, pois o papo é longo e já estourei o limite de caracteres deste artigo.

A vantagem de ser Lado B é que as faixas podem ir além dos 4 minutos de duração para tocar nas rádios e no Faustão. Que bom!

 

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião de Aupa, onde foi originalmente publicado.

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